Professores em greve, e agora?

Há tempos não escrevia aqui e achei que estava a falhar na minha proposta com o blog, portanto, hoje trago uma breve reflexão que pode, e provavelmente será, um tanto polêmica: a greve dos professores do estado de São Paulo.
Confesso que pouco sabia da situação dos professores até ser tirada essa greve, e me sensibilizei pela causa, até porque por muito pouco não estaria eu nessa situação. Ser professor é um sonho pra alguns, idealizado? Quem sabe. Mas um sonho, que confesso ser o meu. Mas minha atenção não é aos professores hoje. Deixo minha opinião de apoio sincero às suas reivindicações, mas meu assunto hoje são os alunos.
Até essa quinta-feira passada (09/05) nunca havia refletido sobre o tema que tratarei: os professores estão em greve, e agora? Pra onde vão os alunos? O que eles ficam a fazer enquanto não tem aula? E passei a me perguntar isso porque estava em uma palestra do Professor José Pacheco, idealizador da Escola da Ponte (Portugal) e do Projeto Âncora (Cotia - Brasil), que são projetos de escolas com uma proposta pedagógica diferente da tradicional (e ao meu ver, muito mais interessantes) e uma das pessoas ouvintes perguntou sobre a opinião dele sobre a greve, visto que ela era professora e que estava em greve.
O professor respondeu que era sindicalista, que sempre foi e sempre seria, mas que, embora as reivindicações sejam extremamente necessárias, não concordava com a greve, pois os alunos não poderiam sair prejudicados. Que a solução deles em Portugal era ir para a escola e declarar falta, para que dessa forma não deixassem seus alunos sem aula.
Passei a pensar então: verdade, concordo que as crianças não possam ficar sem ir à escola, pois acredito que uma criança largada na rua é altamente improdutivo, mas como fazer isso sem greve? Porque essa é a maior arma do trabalhador contra a exploração do seu trabalho, e disso não tenho dúvidas. Mas como lidar com uma greve cujo alvo não são só os exploradores, mas também os alunos, que já têm uma educação precarizada, e que nada têm a ver com a forma que o Estado remunera seu professores?
Tenho ciência de que eu não tenho essa resposta, e que certamente a alternativa do Professor Pacheco não seria efetiva para as reivindicações exigidas, portanto deixo ao fim desse pequeno texto um convite àqueles que leram que ponham em debate esse tema, e que venham discutir e argumentar comigo (se quiserem, por suposto) a fim de compreendermos uma possível solução.

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