quinta-feira, 13 de setembro de 2012
MISANDRIA NA MÍDIA: SER HOMEM É SER DESCARTÁVEL?
MISANDRIA: mi-san-dri-a / sf (miso+andro+ia) Antipatia,
aversão mórbida ao sexo masculino.
Diversos nomes dosdireitos humanos e da assistência social britânica, tais como Sarah Nelson, chefe de relações públicasda organização Samarithan Charity, e Stephen Fitzgerald, diretor do Mankind Men’s Charity, junto a ativistas importantes como Erin Pizzey, unem-se para combater a desigualdade de gênero no discurso midiático, através do documentário Misandria: Os Homens são Descartáveis. Um filme no mínimo corajoso, na opinião dos autores deste blog, que vemos no preconceito contra os homens, bem mais do que um mero preconceito.
O efeito negativo da economia e da sociedade de costumes sobre a vida masculina é tão arrasador quanto indispensável. Tão essencial à manutenção do sistema que é negado a todo custo. “Homens desconhecem qualquer fragilidade e, sem condicionamento, são agressivos e problemáticos”, essa é a mentalidade geral, o consenso responsável por manter os homens sob suspeita, no lugar, úteis e controlados.
O efeito negativo da economia e da sociedade de costumes sobre a vida masculina é tão arrasador quanto indispensável. Tão essencial à manutenção do sistema que é negado a todo custo. “Homens desconhecem qualquer fragilidade e, sem condicionamento, são agressivos e problemáticos”, essa é a mentalidade geral, o consenso responsável por manter os homens sob suspeita, no lugar, úteis e controlados.
Chama-se “misandria”, a estigmatização do masculino como fonte de toda opressão e exploração. Um termo polêmico e (ao contrário de “misoginia”) ignorado até pelo dicionário do Word. Mesmo porque a verdade é outra. Os homens estão habituados a sofrer opressão e exploração, banalmente, desde a idade da pedra. Cada centímetro do imenso mundo pavimentado ao nosso redor, cada rua, calçada, edifício, rede elétrica, rede de esgoto, rede hidráulica, barragem, ponte, aqueduto, pirâmide e obelisco em toda a História foram erguidos na exploração do corpo masculino. Na opressão financeira e legal dos homens, que sempre viveram com metade da expectativa de vida das mulheres, lógico! O corpo masculino é e sempre foi um cobiçado recurso natural, a principal moeda de troca da escravidão.
Até o fim do período medieval, a maioria das ossadas masculinas desenterradas apresenta sinais de fraturas e deficiências, e pertence a jovens deformados pela vida dura, mortos prematuramente por esforço exagerado em condições desumanas. Sempre que se acha um esqueleto em boas condições, que viveu uns 70 anos, trata-se de uma mulher. Ou de algum tipo de nobre.
A vida medieval era árdua para todos, porém, enquanto a mulher cuidava dos filhos junto à lareira, o homem estava de baixo da nevasca, tentando quebrar a pedra dura do chão para plantar um nabo... Ainda hoje, em nossa sociedade tecnológica, mais de 80% de todos os corpos masculinos (em números da ONU) passam a vida numa pedreira. São explorados pela pobreza e objetificados pelas urgências e regras de poderosos costumes como o matrimônio e a maternidade, em torno dos quais nossas vidas são moldadas aferro quente. Mesmo atualmente, apesar de mais forte e menos propenso a problemas de idade como a osteoporose, a expectativa média de vida masculina é cerca de 14 anos menor que a feminina.
A vida medieval era árdua para todos, porém, enquanto a mulher cuidava dos filhos junto à lareira, o homem estava de baixo da nevasca, tentando quebrar a pedra dura do chão para plantar um nabo... Ainda hoje, em nossa sociedade tecnológica, mais de 80% de todos os corpos masculinos (em números da ONU) passam a vida numa pedreira. São explorados pela pobreza e objetificados pelas urgências e regras de poderosos costumes como o matrimônio e a maternidade, em torno dos quais nossas vidas são moldadas aferro quente. Mesmo atualmente, apesar de mais forte e menos propenso a problemas de idade como a osteoporose, a expectativa média de vida masculina é cerca de 14 anos menor que a feminina.
Os homens cometem quatro vezes mais suicídio que as mulheres, taxa essa que se multiplica durante crises financeiras ou arrochos salariais. Mas nos artigos sobre suicídio disponíveis, não só é ignorado o fato de que os homens, em qualquer faixa etária, sofrem mais pressão que as mulheres, como a própria palavra “homem” é cruelmente excluída de quase todos os textos.
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| 20% da população brasileira, a maioria homens, fugiu de suas famílias (pais ou conjugues) e não quer ser encontrada. |
A BBC já foi criticada por omitir os números masculinos e inflar os femininos. E quando a questão é a indigência, o assunto é apresentado como independente de gênero, embora imagens de mulheres pobres com crianças tomem a tela e nunca ninguém se lembre de anunciar que mais de 90% dos indigentes são homens. Muitos deles pais, de todas as etnias e faixas etárias, a maioria sendo meninos negros. Como resultado, as questões femininas monopolizam quase toda a assistência social, enquanto que na imprensa os homens só são citados como agressores ou fontes potenciais de injustiça. Incrível, mas é como funciona.
Incontáveis grupos e ativistas protestam contra o modo como a mulher é representada na mídia. Apenas como um “Sex Object”, alguém cuja auto-estima vem de ser atraente, linda, sensual, o que é visto como a grande injustiça da TV, do cinema, das capas de revista, da cultura pop em geral. Anualmente, altas somas são deslocadas de um lado para outro em prol de uma causa que nunca decola de fato por não coincidir com as preocupações da maioria, além de representar, na prática, um impedimento à livre expressão. Trata-se da “objetificação da mulher”, a mulher apresentada como um mero objeto de desejo para os homens.
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| Cena de Pulp Fiction, com Ving Rhanes e Bruce Willis |
Em vista disso, na parte intitulada “Eu Prefiro Ser um Objeto Sexual”, o documentário nos pergunta: “Como o homem é universalmente representado?” E responde: “Eu diria como ‘Death Objects’. Homens são descaradamente linchados em nossas telas de TV. Normalmente, a largas taxas. E quando personagens femininos são mortos é tipicamente fora da tela, fora da tomada, com todo o cuidado. A vida masculina é tão indigna que os personagens homens podem cometer suicídio sem qualquer hesitação. E mesmo se suicidando, eles terminam perdendo, estão sempre errados, principalmente com as mulheres. Já quando uma mulher comete suicídio, nem nos ocorre pensar nela como covarde. Dois filmes recentes de Hoolywood, aliás, sugerem que certos homens seriam ‘melhores’ caso se suicidassem...”
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| Cena de Syriana, com George Clooney |
O documentário segue: “A cada hora em nossas tevês, os homens são graficamente torturados e mutilados. As mulheres, por outro lado, nunca são representadas sob tortura e raramente sendo machucadas. E, sobretudo, jamais são assassinadas como uma forma de comédia! Em diversos filmes, nós vemos como os homens só são dignos de viver como protetores das mulheres, como seus guarda-costas não-assalariados. Os únicos heróis do horário nobre são os dispostos a arriscar suas vidas pelos outros — e os outros são sempre mulheres. Existe um filme que sequer nega isso, Eles Foram Descartáveis (uma produção de John Ford)”.
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| Ninguém é vítima por ser homem -- será? |
E a imprensa não fica de fora. Em notícias sobre desastres naturais ou acidentais, as vítimas masculinas nunca são homens. Até que surja a primeira mulher entre os mortos e feridos, todos os resgatados são identificados como funcionários, motoristas, pedestres ou mesmo “desconhecidos”. Nunca homens. “Dezoito mineiros foram soterrados pelo desabamento, incluindo uma mulher.”
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| Com a proibição da maconha, os abusos familiares e as pensões alimentícias impossíveis, sempre cabe mais um. |
Exatamente o oposto ocorre em notícias sobre crimes, atentados, conflitos militares ou violência doméstica. É quando a misandria torna-se óbvia e a palavra “homem”, obrigatória. O agressor masculino não tem nome próprio, profissão ou vida pessoal. Ele é genericamente um homem. “Um homem invadiu e tomou um ônibus como refém no Rio de Janeiro.” Nessas notícias, por ironia, as ocupações e circunstâncias perdem totalmente a relevância: “Grupos de homens cometeram pilhagem, vandalismo e estupro quando estavam a serviço das forças armadas norte-americanas no Haiti”. Grupos de homens, não de militares americanos.
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| Protegida, a modelo C. Mortagua agride e acusa o filho de ser "gay", diante de policiais homens que nada podem fazer. |
Já o agressor feminino raramente é mulher. Em geral ele é um “motorista que atropelou e fugiu”, ele é “uma pessoa problemática que mutilou o conjugue” e às vezes até um indivíduo específico, com nome próprio, família e passado. Ele é “Maria da Silva que foi presa, por torturar crianças trabalhando como doméstica”. Ou ele é “Coco Chanel, grande empresária européia que colaborou com o nazismo durante a invasão de seu país, entregando pessoas para a morte certa e ajudando a derrubar a resistência francesa”.
Mundialmente copiado, esse é o modelo BBC de notícia, onde o termo “homem” não pode ser usado em nenhum contexto vulnerável e de tudo se faz para tornar qualquer problema uma questão prioritariamente feminina. Funciona assim: se é ruim para todos, é pior para as mulheres, e é isso que importa noticiar. O documentário apresenta diferentes exemplos desse desequilíbrio: “401 soldados morreram hoje, incluindo uma oficial mulher, o que representa uma proporção maior que a de soldados.”
Quem explica é Noam Chomsky, escritor e pensador de esquerda considerado o maior intelectual vivo do mundo, autor de dezenas de livros, dentre eles Manufacturing Consent, uma crítica à cultura midiática e ao jornalismo corporativo: “As vítimas dignas são dramaticamente destacadas (...), são humanizadas. Em contraste, as vítimas indignas merecem apenas pequenos detalhes, com uma mínima humanização, um pequeno contexto que excite e logo enfade”. É assim que funciona numa sociedade cuja economia, a ordem e a moral dependem do injusto que ninguém vê, da crueldade que não possui representação e do desumano que todo mundo acha normal.
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| Empregos desumanos ou perigosos são uma prioridade masculina |
O documentário é legendado, fácil de seguir e ricamente ilustrado com cenas de filmes, séries de TV e telejornais. Realmente vale a pena assistir, uma vez que a questão é um tabu da nossa época, negado e largamente desconhecido.

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